quinta-feira, 29 de março de 2012

A campanha Ler Está Na Moda não para!

A escritora Janaina Rico foi convidada para ir na cidade de Boqueirão/PB, dar uma palestra para falar um pouco da campanha! E o escritor André Ricardo Aguiar nos conta como foi a FLIBO - Feira Literária de Boqueirão.


Águas Culturais
André Ricardo Aguiar

Uma das melhores provas de que investir em cultura pode ser o melhor cartão de visitas para um a cidade está no exemplo da Flibo, em Boqueirão. Quem vai e vê de perto o grau de motivação com que o evento é tratado, sente logo porque este caminho é o mais certo, apesar das curvas e falhas do roteiro geográfico. Assim é a Flibo, uma pequena pedra lançada que espalha círculos e ondas na mesmice do lago. Ou seja, eis o recado tautológico: para fazer, basta fazer. Crença não solta ou abstrata, mas uma ação planejada até para contornar os possíveis obstáculos. 

Claro que por trás de todo evento, sempre sobressai um nome. Mirtes Waleska, a organizadora da Flibo, junto com a ABES, tem uma visão ampla e interativa para lidar com todas as vertentes que uma feira comporta. Com todas as dificuldades, e elas existem em grandes centros, que dirá em cidades de pequeno porte, faz o evento pela terceira vez com mais retoques e melhorias, trazendo ao povo da Paraíba uma oportunidade de dialogar com vozes da região e do Brasil. Mais que isso, cria uma possibilidade de termos, no mapa de eventos das feiras do país, uma referência digna envolvendo literatura, leitura, ações culturais e abrindo espaço para os novos talentos. 

São oficinas, palestras, apresentações, recitais, shows, tudo integrado ao cenário das águas. Claro que nem tudo é perfeito, mas acho que o caminho é por aí: cada nova instalação e produção são testes para sentir onde caminhar melhor. Esta mais recente Flibo apontou para isso. O patrono, Lau Siqueira, reforça a importância ao reiterar, em diversos depoimentos, o quanto de luta por dentro, nos bastidores torna clara uma verdade universal: dar a semente do exemplo rende frutos. O trabalho com as escolas e o acesso ao universo social só reforçam práticas mais eficientes do que o mero discurso. 

Os escritores e pesquisadores também sentem na pele esta interação. Este último, escritores de Brasília, Ceará, Bahia, Alagoas, além, claro, da Paraíba, rechearam a Flibo de boas apresentações. Livros lançados, oficinas interessantes e debates atuais sobre crítica, leitura, literatura, no mote da escritora Janaina Rico, estão mais que na moda. 

Além de participações mais ramificadas, a exemplo de José Inácio Vieira de Melo, que fez palestra e deu uma palhinha em recital, presenças já recorrentes como Bruno Gaudêncio, Jairo Cezar, Archidy Picado, entre outros – e de novas caras, novas possibilidades de intercâmbio. Um trabalho que só se faz na crença e na mão coletiva que não mede esforços para fazer acontecer. Eis um exemplo que merece ser conhecido e fincado no calendário sempre. 

(Publicado no Jornal A União, 28.03.12) 


Fotos: Arquivo Pessoal


E aguardem, mais eventos irão acontecer!! Vem aí a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura!

Um comentário:

  1. O PAPEL E O POETA

    Não quero mais ser um coadjuvante
    Para ser lembrado apenas por um lapso.
    Estou farto de pensamentos disfarçados em abstrato
    Ziguezagueando por entre linhas de raciocínio.

    Quem é o criador?
    O poeta que se torna escravo de suas musas
    Ou o papel que as alforria silenciosamente?
    Perguntas sem respostas
    Cuja desculpa se encontra
    No último parágrafo.

    Cansei de ser o fardo de uma pena
    E depósito de frustrações.
    Quero libertar-me desse jugo
    E prender-me em minhas próprias idéias – ou:
    Ser o personagem da minha própria pessoa.

    Quero atuar em meu próprio mundo,
    Ser a minha gramática,
    Sem uma sentença que me condene.

    Quero descobrir o meu verdadeiro papel,
    Poder enxergar a mim mesmo.
    Não sobre uma escrivaninha fria e empoeirada
    Que o tempo deixou no esquecimento,
    Mas sim em cada alma,
    Em cada poesia.


    *( Agamenon Troyan )

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